Space Bound

♪ • Só me prometa que você vai pensar em mim toda vez que você olhar para o céu e ver uma estrela, porque eu sou um foguete espacial e seu coração é a lua E eu estou apontando direto para você • ♪

(Source: h3y-fuck-you, via boy-drugged)

(Source: okbeijos, via boy-drugged)

(Source: grande-heroina, via boy-drugged)

(Source: confioemdeus, via boy-drugged)

A gente se apaixona por esses tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: que é que ele tem que brilha tanto? Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o resto?

Tati Bernardi. (via y-ouaremycocaine)

(Source: alcooltecimentos, via y-ouaremycocaine)

Prefiro ser uma vírgula do que um ponto final. Talvez eu esteja no escuro, talvez eu esteja de joelhos. Talvez eu seja a lacuna entre dois trapézios. Mas meu coração está batendo e o meu pulso gera catedrais no meu coração.

Coldplay - Every Teardrop Is a Waterfall  (via segredosdeumpoeta)

(Source: whenitallfallsdown-standup, via segredosdeumpoeta)

Espreme a mão magra entre os livros, apalpando a procura da caneta. Finalmente a encontra. Olha para trás onde a porta aberta espera. Costume. Tem medo de dar as costas, tem medo de ser nocalteada em cheio na nuca no 1 minuto de dispersão. 1 minuto e um tiro chega zunindo. Prefere morrer de frente pra morte. Mas esse é só um trauma comum dela que se aplica a tudo. Já deu as costas para pegar refrigerante na geladeira e no minuto seguinte percebeu ter perdido a melhor parte do filme. Essa é uma das situações bobas. Existem mais graves. Já deu as costas pra quem a amava querendo ser puxada de volta e abraçada, e recebeu frieza e indiferença. Merecia? Quem sabe, quem sabe. Ninguém merece isso, não é? Ninguém merece não ser amado, imagine deixar de ser amado por quem te amou o tempo inteiro, desde que você passou a contar os dias. Outra peculiaridade dela: Anotava as datas. Os primeiros encontros, primeiras conversas, se o bom senso fugisse anotava até as risadas. Queria deixar registrado quem conheceu, quem ficou e quem foi embora. Não que fosse preciso tinta e papel pra isso, ela sentia. Sentia quando a abandonavam, quando deixavam de se importar. Tinha esse mecanismo de alerta que sempre acionava quando alguém ia embora. Infelizmente ninguém tinha um mecanismo do tipo para seus gritos de socorro. Aqueles que não eram nunca gritados, mas sussurrados, marcados em gestos e palavras aqui e ali. Acenos de cabeça substituindo falas, sorrisos esmorecidos ao invés de risadas. Mas ninguém notava mesmo, então ela acostumou. Encontrou a caneta, olhou para trás por costume. O vento entrava pela porta aberta. E ainda era noite. Um perigo. Fechou a porta e seguiu a passos apressados para o quarto. Andava rápido, quase correndo, quase fugindo. Era exatamente a impressão que passava, que fugia. Sabe-se lá de que estava sempre fugindo. É engraçado colocar desse jeito, mas de um lado e do outro fazia sentido. Ela fugia sem perceber, fugia sem se dar conta do ato, fugia quando atravessava a rua, quando pensava 3 minutos antes de digitar, quando pintava as unhas de azul fugia de si mesma. Da fatalidade de ser ela e não combinar com azul, e murmurava invocada: “Foda-se.” porque ouvira contar que a gente é que tem que gostar de algo pra combinar. Agora mesmo estava fugindo outra vez. Sentada na cama, as pernas cruzadas, folheava o caderno. O de textos, não qualquer um. Possuia vários. Não só por enfeite, era mais por fetiche. Gostava de escrever. Não tinha a letra caprichada, nem nada, mas os garranchos escritos por ela assumiam uma beleza inigualável. Os olhos ansiosos e castanhos procuravam um nome. Passava as folhas veloz, não se preocupava em um deslize passar a página procurada. Não era qualquer um nome também, ela veria quando encontrasse. Assim como enxergaria o dono a quilômetros de distância, como o distinguiria só pelo jeito de andar ainda que estivesse sem óculos. Agora mesmo o enxergava sem ver. Podia ouvir a risada também. A risada diferente dele. Sem definições vãs. O que ela poderia dizer? Era rouca, estremecida. Era dele. Essa última define melhor. E fazia com que ela risse também. Sim, essa com certeza é uma boa definição. Uma risada tão especial que trazia riso pra ela. De uma forma ou de outra só podia ouvir sem ouvir agora. Não tinha mais por perto o dono do nome. Não tinha mais o eco do riso dele nas quatro paredes do quarto, nem o cheiro dele no sofá da sala. Coisas da vida. Mas ela pensava: “Será?” Encontrou o nome entre trechos de músicas e rascunhos, acompanhado de uma data. 01/12/2005. Contou nos dedos. 6,7,8,9,10,11,12. 7 anos. Sete anos e quebrados, e ele nunca dera uma risada sem que ela não fizesse dueto. E tinha uma época mais tranquila, quando as pessoas ainda não queriam ir embora, onde ela achava isso uma coisa boa. Agora caíra em confusão, duvidava. No fundo a vontade de telefonar e dar notícias era incômoda, mas era uma mania. Levava ao passado quando ela não precisava ligar pra ele, quando ele sempre batia a porta sem hora marcada querendo saber. Um dia ele se importara, essa sim era uma história pra se contar. E mesmo essa necessidade quadrada nela, um contexto perdido no meio de todo o resto, todo o resto que continuou seguindo enquanto ela remoia tristezas, mesmo isso trazia algo de bom. Não dizem que sorrir chorando quando se têm saudade é bom? Ela sorria chorando quando tinha saudades dele, e em toda sua dúvida acreditava no fundo em uma só verdade. Valera tudo a pena. Valera a pena ter ido àquela festa. Valera a pena a música brega. Valera a pena ter aturado a dor de cabeça no dia seguinte. Fitou a folha que começava a amarelar. Folheou mais algumas até chegar numa página em branco. Apanhou a caneta, morgou o caderno no joelho, agarrou a tampinha da caneta entre os dentes e puxou. Com raiva? Não, não sentia mais isso. Nem desgosto, nem incompreensão. Não guardava mágoa. Só saudade e dúvida certa. Contou as linhas da folha e outra vez escreveu na linha par, no meio exato o nome dele. Nem chorou. Embaixo a data. 27/05/2012. Era uma despedida de quem parecia já ter dito adeus há tempos. Era um aceno de “tchau” para si própria. Quem sabe um até logo. Sofria recaídas como ninguém, quedas inteiras, como da vez em que fumou dois maços de cigarro numa crise de abstinência. Hoje não fumava mais e evitava despedidas. Até aquele momento. Esse é o sentido de um adeus, certo? Deve ser definitivo. Não aliviou, não pesou. Coitada, nem ela sabia o porquê daquilo. Quem sabe era uma forma de organizar. Como um registro de saídas e entradas num banco. A balança pesava mais de um lado, como sempre pesa pra quem vive a base de si mesma. Olhou com um olhar meio sei lá pra aqueles números escritos sem porquê, pra aquele nome que ela enxergava sem precisar de marca-texto. Era só passado. Só saudade. Não dava pra ligar agora. Foram 7 anos de riso. Tudo que é doce acaba mesmo. Mesmo a gente ditando que é pra sempre, acaba. Era um aviso para o futuro, mas ela esqueceria logo. Tinha memória fraca para avisos, regras e aprendizados. Mas ia indo, um dia aprendia, lembrava, não precisava mais de ninguém avisando. Se tivesse sorte um dia esquecia as risadas e os cheiros também.

7 anos, Juliana Nery. (via y-ouaremycocaine)

(Source: salt-rain, via y-ouaremycocaine)